Oscar Schmidt. O Mão Santa que vestia a Catorze!

Oscar Schmidt Flamengo (2)

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Oscar Schmidt sem dúvidas alguma é um dos maiores atletas do nosso esporte.

Com as olímpiadas de Tóquio batendo a porta sendo que oficialmente começa na próxima sexta feira. Resolvemos relembrar uma entrevista que o Mão Santa concedeu com exclusividade ao Redação Rubro-Negra

Oscar Schmidt é o jogador com mais participações pela modalidade em jogos olímpicos. São cinco no total. Moscou 1980, Los Angeles 1984, Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996.

O mão Santa divide este recorde com Teófilo Cruz de Porto Rico e Andrew Gaze da Austrália.

Ele também detém a marca de maior cestinha da história da competição com 1903 pontos. Carregando junto a melhor marca em uma partida, 53 pontos contra a Espanha em Seul.

Foi cestinha em 3 edições. Seul, Barcelona e Atlanta sendo que na Coreia do Sul conseguiu a incrível média de 42,3 pontos por partida. (fonte: Basquete nas olimpíadas: histórias, campeões e recordes – esportelândia)

Com tudo isto nada como recontar esta história as vésperas de mais uma olimpíada que esta para se iniciar.

Oscar Schmidt que encerrou sua brilhante carreira no Flamengo, falou sobre toda sua trajetória, como foi vestir o manto sagrado, frustrações na carreira que existem com todo grande atleta. Curiosidades por exemplo, de onde veio a preferência pelo número catorze.

É embarcar nesta conosco e relembrar esta incrível entrevista.

Oscar Schmidt. Uma história riquíssima de um dos maiores atletas do nosso país.

Redação Rubro-Negra — Para começar, como Oscar se enxerga como atleta? Se vê como vitorioso na carreira?

Oscar Schimdt — “Claro que sim! Sobretudo a maioria dos times que eu joguei, eu venci. O time venceu! Tirando o Caseta onde eu venci pouco, na maioria dos outros times, eu consegui vencer!

RRN — Como descreveria sua conexão com a seleção brasileira?

Oscar — “Essa história não precisa nem descrever, pois eu acredito que o objetivo de qualquer pessoa seja jogar pelo seu país, e a maior prova disso é que eu não fui para NBA pra continuar jogando na seleção brasileira. Então esta dito tudo ae”

RRN — Em 14 de outubro de 1978, você juntamente com o Brasil ganhava a medalha de Bronze no Mundial disputado nas Filipinas. Marcel fez uma cesta monstruosa faltando segundos para terminar a partida que foi 85 x 84 contra Itália. Esse feito não é muito pouco lembrado?

Oscar — “O duro é que pouca gente lembra dessa cesta do Marcel, que um terceiro lugar em um mundial, não é uma vitória contra os EUA dentro dos EUA pela primeira vez na história, mas aquela vitória foi uma conquista muito importante na minha carreira. Só quem viu sabe!”

RRN — Sua carreira é espetacular e entre seus feitos tem aquele mundial com a histórica equipe do Sírio. Imagino as recordações que tem daquele dia, e ao final a cena marcante da torcida invadindo a quadra para comemorar junto da equipe?

Oscar — “Aquilo é uma coisa que não existe mais, porque se alguém primeiro jogar alguma coisa na quadra é falta técnica, e não existia essa regra antes. Então naquele momento lá, caiu um copinho d’água na quadra, e o juiz queria enxugar o campo, e nesse período todo que ele não encontrava quem enxugasse, o pessoal vai descendo e vai ficando em volta da quadra. Quando acabou o jogo não precisou nem avisar. Aquela invasão é uma imagem incrível que eu mostro nas minhas palestras porque não existe mais aquilo. Não vou dizer pré-historica mas bem antiga, e o basquete mudou muito em termos de regra daquele momento pra cá.”

O craque lembra também do mundial que o Flamengo ganhou em 2014.

Oscar — “Sempre que o Brasil ganha um titulo no basquete, é algo para se comemorar; se for de um clube que eu tive a oportunidade de jogar então, a alegria é dobrada. Esse torneio foi um pouco diferente daquele do Sírio, mas isso não apaga em nada o brilho da conquista.”

O carinho e respeito que Oscar Schmidt fala do Flamengo é marcante.

“Primeiro que jogar no Flamengo é diferente que jogar em qualquer outro clube.

Eu tive o prazer e a honra de jogar no Corinthians e no Flamengo que em termos de torcida são os maiores, então o torcedor do Flamengo é apaixonado por mim. Confesso que é muito difícil saber o porque disso, mas eu imagino que seja porque eu jogava sempre com muita vontade, com muita garra, e isso é o que o torcedor do Flamengo quer ver nos seus jogadores.

Ele prefere ver o time jogando com garra do que um time que ganha torneios, apesar do Flamengo hoje ser o melhor time do Brasil. O torcedor claro fica muito feliz com as conquistas, mas ele quer ver o jogador jogando com garra. Se atirando nas bolas, gritando e esse era o meu estilo de jogo. Eu devolvia os xingamentos das torcidas adversárias, então esta dito tudo o que foi ter jogado pelo Flamengo”.

RRN — O Flamengo proporcionou a oportunidade de jogar junto com o Felipe seu filho em uma partida oficial. Acredito que uma das maiores sensações de sua carreira?

“Felipe? Po isso foi um negócio absurdo! Quantos pais tiveram a honra de jogar com o filho? Isso é uma coisa rara em qualquer esporte e eu tive essa oportunidade! Na verdade eu queria ter jogado com ele uma temporada inteira, mas eu não iria fazer essa covardia pois ele já estava jogando nos EUA no onde ele foi campeão da Flórida que é o maior titulo que high school pode ter e eu estava lá pra ver meu filho ser o melhor jogador das finais, ou seja ele venceu mesmo. Jogou bem e foi campeão da Florida! Pena que ele parou de jogar, pois com certeza seria um ótimo jogador de basquete”

Oscar Schmidt ainda fala das sensações de jogar com a camisa do Flamengo, e o que um jogador precisa saber para jogar com o manto sagrado.

 “Eu poderia ter jogado no clube e não ter feito nada, mas a minha passagem por lá foi muito bonita, gostosa, sobre tudo no penúltimo ano que joguei onde eu era o vovô do time, os jogadores me adoravam, então foi uma passagem muito bonita ter sido jogador do Flamengo”

“Primeiro tem que saber que esta jogando no Flamengo, e o Flamengo não é qualquer time. O torcedor não perdoa displicência. Você pode até jogar mal, mas você tem que se matar dentro de campo, e essa é a primeira regra, e eu já sabia disso, assim como jogar no Corinthians que são dois times diferentes. Então quem vai para o clube e acha que está de férias, esta enganado, pois lá tem que suar a camisa para jogar”

O começo de toda história.

“Talvez o primeiro clube que eu joguei em Brasília foi o Cristal, onde eu ainda nem gostava de basquete. Um dia, em uma aula de educação física no Salesiano o professor me disse que era técnico de basquete no unidade. Disse que eu poderia ir até lá para ver se eu gostava”

“Passei por lá e o técnico da minha categoria era um cara que fazia uns exercícios estranhos. Colocava uma fileira de pedrinhas em um lado, e eu tinha que ir driblando a bola com uma mão e pegando a pedrinha com a outra”

“Pode parecer fácil, mas para um menino desengonçado como eu, era muito difícil.”

“Depois ele trocava os exercícios e colocava uma cadeira com cordinhas e mandava eu passar por cima e por baixo das cordas.”

“Um dia eu estava arremessando a bola e ele falou:”

-“Oscar você esta vendo a cesta?

-“Eu olhei de lado e falei não.”

-“Então bota a bola para cima”. 

-“Agora eu estou vendo.”

-“Arremessa assim.”

-“Mas assim eu não vou acertar nenhuma.”

“Começa certo que um dia você vai acertar muitas bolas.”

“Este cara era um Japonês. Laurindo Miura. E isso eu não esqueço nunca pois esse tipo de exercício e esse  cara ficando atrás de mim, me fez gostar de basquete.”

“Então só precisa disso pra desenvolver a carreira! Como eu crescia muito e tinha projeção de ficar alto.”

“Depois eu fui para o Palmeiras, que foi o primeiro clube oficial que joguei, pois em Brasília na época não tinha nem campeonato oficia pois a federação estava interditada. A gente fazia uma série de jogos contra o mesmo time, tipo melhor de 10 contra o Minas. Então era pouca competição que a gente tinha, mas mesmo assim me fez jogar pela seleção adulta de Brasília mesmo com 15 anos de idade.

Fui para São Paulo e durante a minha permanência no Palmeiras fui convocado pela seleção brasileira adulta com 16 anos!”

RRN — Oscar Schmidt é torcedor de algum clube? ou já foi em algum momento?

“Eu torcia para o Santos e para o Fluminense. Pelé não joga mais e o Santos não fez absolutamente nada pelo basquete e eu fui campeão brasileiro pelo Corinthians, acabei virando a casaca e torcendo para o Corinthians. Já no Rio torcia para o Fluminense, mas acabei jogando nesse time incrível que é o Flamengo e acabei virando a casaca também. Graças a Deus foi o último clube que eu joguei.
Depois de jogar no Flamengo é muito difícil se jogar em outro clube, pois o Flamengo é uma intensidade incrível. É irrepetível”

RRN — Qual sua identificação com as olimpíadas? És um dos 3 atletas que mais participou pela modalidade, como enxerga este feito, e ficou alguma frustração?

” Joguei 5 vezes, e só tivemos 2 chances de ganhar medalha. Uma delas foi em 88  contra a União Soviética quando errei o ultimo arremesso, ali tivemos a grande chance da minha vida. E infelizmente eu errei aquele arremesso, e não temos muitas chances na vida, as chances grandes são poucas que aparecem, e aquela ocasião eu errei aquele arremesso, e jogador bom não pode errar o ultimo arremesso porque perde a confiança do time. A maioria dos jogos eu recebia sempre as ultimas bolas, na maioria das vezes deu certo, mas naquela que era a mais importante, eu não tive a capacidade de acertar a cesta, e nós perdemos a grande chance que aquela geração teve”

*Oscar Schmidt se refere as quartas de finais das olímpiadas de Seul em 1988 quando o Brasil foi derrotado por 110 a 105 em uma das partidas mais dramáticas da história do basquete olímpico.

A entrevista foi feita no mês de agosto de 2019 e naquela época o mão santa já destacava o jovem Yago Mateus, ainda jogador do Paulistano, porém hoje campeão de tudo pelo FlaBasquete como jovem promissor.

Jovem Yago ainda é, porém hoje em 2021, quase 2 anos após esta entrevista o garoto já é uma realidade e tanto.

Oscar chegou a citar em outras entrevistas na mesma época o porque jogava com o número Catorze, onde a resposta era bem simples porém marcante. Dia em que conheceu sua esposa, Maria Cristina Victorino Schmidt

Quando perguntado quem ele destacaria na história do basquete Brasileiro além dele, Magic Paula e Hortência, Oscar citou Marcel e Cadum da geração dele, e ainda Amauri e Vlamir Marques.

Oscar Schimdt foi um dos monstros sagrados do esporte brasileiro. Tem como maior conquista esportiva a conquista da medalha de ouro no Pan de Indianápolis em cima dos Estados Unidos.

É respeitado no mundo do basquete, mesmo sem ter atuado pela NBA fazendo parte do seleto Hall da Fama da modalidade desde 2013.

Um personagem como este, merece toda reverência pelo atleta gigantesco que foi, pelo legado que deixou e por ser autentico até mesmo quando discordamos dele.

Claro que aqui nessas linhas não tem nem metade da história deste monstro, mas foi bacana relembrar um pouco da vida de um ícone olímpico que sempre fez questão de representar seu país com a seleção brasileira.

As vésperas de uma olímpiada tão diferente como será esta, relembrar façanhas de um gênio é sempre incentivador.

A entrevista foi concedida por áudio onde todos estão cuidadosamente guardados, esperando um tratamento para quem sabe vir de alguma forma diferente uma vez que ainda tem pérolas marcantes onde só a emoção falada pode nos passar.

Eu que já tive a honra de entrevistar atletas como Virna do vôlei, os campeões Jhonatan, Léo Demétrio e Rafael Mineiro pelo o Flabasquete. O jovem Pedro Nunes quando ainda era da base, irei em busca de novos desafios para trazer para vocês.

É interessante olhar a trajetória de grandes nomes e sempre uma honra poder trazer um pouco destas histórias para vocês.

Redação Rubro-Negra, um projeto feito de torcedores, para torcedores.

Bem Vindo ao Redação Rubro Negra